As novas práticas culturais estão transformando e influenciando as dinâmicas de construção da cidadania no Brasil e no Mundo. A cultura como eixo das transformações sociais tem sido o argumento de muitos projetos latino-americanos e europeus nesta última década. Alguns têm sido especialmente conhecidos, como os colombianos em Medelín e os utilizados na cidade de Barcelona na Espanha.
As novas linguagens são a consequência de novas misturas e dos resultados na combinação tanto de saberes digitais, como de saberes analógicos. Tudo vai gerando uma série de formas de combinação cultural onde os espaços tradicionais, que não dialogam com as novas linguagens, vão se tornando obsoletos.
Deste modo, o pensamento sobre as cidades como centros de vivência deste tipo de experiência vem se tornando cada vez mais usual, ou seja, pensar as cidades como espaços de ocupação criativa e de combinação entre turismo, cultura, sustentabilidade e qualidade de vida. É isso o que buscam as novas práticas de desenvolvimento econômico e social. Um modelo contemporâneo de utilização das cidades, onde o cada cidadão seja um sujeito culturalmente ativo dentro delas.
Estamos falando, de espaços mutantes, de espaços mestiços, de hibridação dos espaços e de sua multifuncionalidade. Os conceitos que tomam por inteiro as cabeças dos gestores culturais. Por consequência as funções se ampliam e os encarregados de dar dinamismo a estes espaços devem também deter conhecimentos sobre marketing, relações públicas, administração de empresas, formação de públicos, sociologia, psicologia e meio-ambiente. E a formação destes novos agentes culturais parte de um pressuposto em que a cultura deve ser entendida com mais profundidade e importância do que vêm recebendo no âmbito das universidades e centros especializados de formação.
Os eixos do turismo cultural são hoje em dia mais amplos. Já não basta ter apenas grandes monumentos e edificações, museus e grandes estruturas teatrais. Os tradicionais grandes espaços físicos existentes para as artes e cultura nas cidades, devem hoje comungar com novas propostas para os espaços públicos. Tais propostas buscam ambientes distintos, em que as pessoas se apoderem dos locais públicos, compreendendo diferentes linguagens artísticas e culturais, cuidando e atribuindo sentido a vida pública e desfrutando as diversas faces que a cidadania tem para nos oferecer.
O projeto aqui proposto busca de algum modo, contribuir para as discussões e reflexões a respeito da ocupação das cidades como centros de criatividade e qualidade de vida. Sendo assim, pretendemos a realização de um seminário reunindo especialistas em gestão cultural, turismo, comunicação e áreas afins.
O evento se destina a lançar uma campanha posicionando Belo Horizonte como capital cultural voltada ao turismo sustentável que através da economia criativa possa desenvolver ações de inclusão social junto à juventude.
Uma cidade que envia jovens pixadores para presídios, prende skaitistas, agride hippies e artesãos pobres, reprime as ocupações urbanas e se recusa a dialogar com os movimentos sociais, proíbe pipoqueiros nas calçadas, criminaliza a cultura das ruas, pode ser considerada de “portas abertas para o mundo”?
Hbridismos dizem respeito a liminaridades, entre-lugares (sociais, políticos, existenciais). Não me parecem de acordo com a cidade oficial que reprime a cidade emergente. Mas afinal, o capital está se apropriando disso… Singularidades desejantes tornam-se franquias.. E os poderes locais parecem muito bem afinados com isso.
Admiro o trabalho de vocês, mas penso que vale a pena olhar com mais cuidado para a cidade de que estão falando.
Recomendo a leitura do texto do Movimento Nova Cena sobre juventude, cidade e cultura em Bh: http://movimentonovacena.wordpress.com/2011/11/07/relato-da-reuniao-c-prefeito-marcio-lacerda/
Abraços
Luiz Carlos Garrocho